Para Edson Braga, acreditar em uma direção é importante, mas são a constância, a responsabilidade e a execução que transformam convicções em realidade
Fé e disciplina costumam ocupar espaços diferentes nas conversas sobre desenvolvimento pessoal e profissional. Enquanto a fé é frequentemente associada à espiritualidade, à esperança e àquilo que ainda não pode ser visto, a disciplina costuma aparecer ligada ao trabalho, à produtividade e à execução.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, essa separação pode ser limitada.
Em uma reflexão sobre propósito, empreendedorismo, espiritualidade e responsabilidade, Edson defende que fé e disciplina podem funcionar como duas forças complementares.
A fé aponta uma direção.
A disciplina transforma essa direção em comportamento.
Uma permite acreditar naquilo que ainda não existe.
A outra exige levantar, trabalhar e repetir aquilo que precisa ser feito até que parte dessa visão possa se tornar realidade.
Para Edson Braga, talvez exista algo profundamente espiritual na própria disciplina.
Da mesma forma, uma fé que não consegue influenciar escolhas, hábitos, compromissos e atitudes corre o risco de permanecer apenas no campo das intenções.
Chico Xavier como exemplo de fé associada à constância
Ao desenvolver essa reflexão, Edson José Bandeira Braga Filho cita Chico Xavier como um exemplo que, independentemente da crença religiosa de cada pessoa, permite observar uma combinação entre convicção espiritual e compromisso cotidiano.
A trajetória de Chico ficou associada não apenas à fé, mas também à dedicação, ao estudo, ao trabalho, à escrita, ao atendimento às pessoas e à repetição de compromissos durante muitos anos.
Para Edson Braga, existe uma lição humana nessa combinação.
Acreditar e trabalhar.
Confiar e comparecer.
Ter fé e, ao mesmo tempo, possuir rotina.
Esse ponto também provoca uma reflexão sobre a forma como o propósito costuma ser tratado.
Muitas pessoas desejam descobrir uma missão, encontrar um chamado ou sentir que realizam algo verdadeiramente importante.
Mas propósito sem disciplina pode permanecer apenas como intenção.
É possível acreditar profundamente em alguma coisa e nunca desenvolver hábitos suficientes para construí-la.
Talvez não esteja faltando fé
Edson propõe ainda uma pergunta desconfortável sobre a relação entre aquilo que as pessoas pedem e aquilo que fazem depois.
Alguém pode pedir uma nova oportunidade, mas não se preparar para recebê-la.
Pode desejar crescimento sem mudar hábitos.
Pode pedir saúde e continuar negligenciando o próprio corpo.
Pode desejar uma empresa melhor e continuar adiando decisões difíceis.
Pode buscar paz e, ao mesmo tempo, continuar alimentando conflitos.
Também pode pedir direção sem criar espaço para silêncio, reflexão ou escuta.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, em determinadas situações talvez não esteja faltando fé.
Pode estar faltando disciplina para agir de acordo com aquilo em que se afirma acreditar.
Essa percepção devolve parte da responsabilidade para cada indivíduo.
Depois da oração, existe uma pergunta prática:
O que cabe a mim fazer?
Fé não substitui execução
Essa relação se torna particularmente relevante no empreendedorismo.
Empreender exige acreditar em algo que ainda não está completamente visível.
Antes de uma empresa existir, alguém precisa imaginá-la.
Antes de um produto chegar ao mercado, alguém precisa acreditar que ele poderá funcionar.
Antes que outras pessoas reconheçam uma oportunidade, normalmente existe alguém disposto a enxergá-la antes.
Há uma dimensão de fé nesse processo, ainda que não necessariamente religiosa.
É a capacidade de acreditar em possibilidades antes que existam todas as evidências.
Mas Edson Braga destaca que convicção não deve ser confundida com execução.
Acreditar em uma ideia não significa que ela será necessariamente boa.
Desejar um resultado não é suficiente para produzi-lo.
Propósito não substitui estratégia.
Otimismo não substitui caixa.
Visão não substitui competência.
E oração não elimina a necessidade de trabalho.
A fé pode oferecer coragem para começar.
Depois disso, alguém precisa fazer contas, contratar, planejar, estudar, corrigir erros, executar e voltar no dia seguinte para continuar.
O sagrado também pode estar na rotina
Outro aspecto da reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho está na maneira como a espiritualidade é frequentemente associada apenas a momentos extraordinários.
Templos.
Orações.
Meditação.
Retiros.
Silêncio.
Tudo isso pode possuir importância.
Mas talvez exista uma espiritualidade mais difícil de praticar: aquela que aparece numa segunda-feira comum.
Cumprir uma promessa.
Chegar no horário.
Tratar uma pessoa com respeito mesmo em um dia difícil.
Executar corretamente uma tarefa que ninguém verá.
Ter paciência durante uma reunião complicada.
Não utilizar autoridade para humilhar.
Recusar uma oportunidade quando ela exige abandonar princípios.
E voltar para casa ainda disposto a ouvir verdadeiramente um filho.
Para Edson Braga, talvez o sagrado também esteja presente na rotina.
É relativamente simples defender valores quando estamos falando sobre eles.
O verdadeiro teste aparece quando existe cansaço, pressão, atraso ou contrariedade.
Nesse momento, caráter deixa de ser discurso e se transforma em comportamento.
Disciplina também pode ser uma forma de fé
A disciplina costuma ser associada principalmente à produtividade.
Edson propõe uma interpretação diferente.
Ela também pode representar confiança no futuro.
Quando uma pessoa planta sem enxergar imediatamente o fruto, existe confiança.
Quando estuda durante anos antes de receber reconhecimento, existe confiança.
Quando investe no desenvolvimento de alguém antes de saber exatamente qual será o resultado, também.
O mesmo vale para a construção de reputação.
Fazer a coisa certa repetidamente, durante muito tempo, exige acreditar que a consistência produzirá alguma consequência futura.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, disciplina pode ser entendida como uma fé transformada em comportamento repetido.
É realizar hoje aquilo que se acredita que produzirá alguma coisa amanhã.
Disciplina sem direção também pode ser perigosa
Por outro lado, disciplina isoladamente não garante uma vida bem construída.
Uma pessoa pode ser extremamente disciplinada e caminhar na direção errada.
Pode trabalhar excessivamente e comprometer a saúde.
Pode construir uma empresa e perder o relacionamento com a família.
Pode perseguir uma meta durante anos sem perceber que ela já não possui sentido.
Também pode tornar-se altamente produtiva e, ainda assim, sentir um profundo vazio.
Por isso, Edson Braga destaca que disciplina precisa de direção.
Essa direção pode receber diferentes nomes.
Fé.
Propósito.
Consciência.
Valores.
Deus.
A questão fundamental é compreender a serviço de quê está sendo utilizada toda a capacidade de execução.
A disciplina responde como chegar.
A fé e o propósito precisam ajudar a responder por que vale a pena chegar.
Duas forças que corrigem uma à outra
É justamente nessa complementaridade que Edson José Bandeira Braga Filho utiliza a imagem de duas asas.
Com apenas uma delas, não existe equilíbrio suficiente para voar.
Fé sem disciplina pode transformar-se em expectativa.
Em sonho sem calendário.
Propósito sem ação.
Esperança permanentemente adiada.
Disciplina sem fé ou direção, por outro lado, pode tornar-se rigidez.
Produtividade sem significado.
Movimento sem consciência.
Uma vida extremamente eficiente dedicada a alcançar um destino que talvez nunca tenha merecido tanto esforço.
A fé levanta os olhos.
A disciplina mantém os pés no chão.
Uma lembra que existem elementos que ultrapassam aquilo que podemos controlar.
A outra exige responsabilidade por tudo aquilo que continua sob nosso controle.
Orar e depois levantar
Edson Braga resume essa relação por meio de uma imagem simples:
Orar e depois levantar.
Pedir direção e caminhar.
Confiar e trabalhar.
Entregar aquilo que não pode ser controlado e assumir integralmente aquilo que depende das próprias escolhas.
Para Edson, não existe necessariamente qualquer contradição nessa postura.
Pelo contrário.
Talvez uma forma profunda de fé esteja em executar com excelência tudo aquilo que está ao alcance e aceitar com serenidade aquilo que nunca esteve.
Isso significa que não é necessário esperar desaparecer o medo.
Nem aguardar vontade permanente.
Tampouco possuir certeza absoluta.
Em muitas situações, é necessário simplesmente cumprir aquilo que já se sabe que precisa ser feito.
A agenda também revela prioridades
Uma das formas mais objetivas de analisar a relação entre convicções e disciplina pode estar na rotina.
Edson José Bandeira Braga Filho propõe uma pergunta prática:
Se alguém observasse apenas a agenda de uma pessoa, sem ouvir seus discursos, conseguiria identificar aquilo que ela afirma ser importante?
Se família é prioridade, existe tempo real dedicado a ela?
Se saúde possui importância, a rotina demonstra isso?
Se aprender é um objetivo, existe espaço reservado para estudo?
Se espiritualidade é considerada fundamental, existem momentos para silêncio, reflexão ou oração?
Se construir uma grande empresa é um sonho, a disciplina diária é compatível com esse objetivo?
Para Edson Braga, existe uma honestidade incômoda nessa análise.
As palavras revelam intenções.
A rotina revela compromissos.
Entre aquilo que entregamos e aquilo que assumimos
Ao concluir sua reflexão, Edson José Bandeira Braga Filho afirma acreditar cada vez menos em uma espiritualidade que afaste as pessoas da realidade.
Para ele, uma fé significativa deveria devolver o indivíduo ao mundo mais consciente, responsável, disciplinado e humano.
Não se trata de abandonar o trabalho em nome da espiritualidade.
Trata-se de permitir que a espiritualidade dê sentido ao trabalho.
Da mesma maneira, disciplina não deveria transformar a vida apenas em uma máquina de produção.
Ela pode servir para transformar convicções em realidade.
Nesse encontro, fé e disciplina passam a ocupar funções complementares.
A fé inspira.
A disciplina realiza.
A fé aponta.
A disciplina caminha.
A fé lembra que ninguém controla tudo.
A disciplina impede que essa verdade se transforme em desculpa para não assumir responsabilidade.
Para Edson Braga, talvez algumas das construções mais importantes da vida aconteçam exatamente nesse espaço entre aquilo que uma pessoa entrega a Deus e aquilo que reconhece como sua própria responsabilidade.
Fé para acreditar no que ainda não existe.
Disciplina para trabalhar para que uma parte disso possa existir.
Duas asas.
Uma direção.
E os pés sempre no chão.
