DMAE dá início a investigações após descoberta de superbactéria na água do Guaíba por pesquisa da UFRGS

Na última terça-feira (12), o DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos) deu início a uma nova fase de monitoramento da água do Guaíba. As coletas estão programadas para serem realizadas em dois locais distintos de Porto Alegre: um no Lami e outro em Belém Novo.

Esta nova análise acontece uma semana depois que o projeto ClimaRes WaSH, vinculado à UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), detectou a presença da superbactéria Acinetobacter baumannii em diversos pontos do lago.

A amostra analisada no estudo era composta por água bruta, ou seja, sem tratamento. Importante ressaltar que essa bactéria não está entre os parâmetros legais atualmente utilizados para determinar a adequação de um local para banho.

Criterios de Balneabilidade

A balneabilidade é regida pela Resolução 274/2000 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que se baseia principalmente na contagem de Escherichia coli e no pH da água.

Segundo as normas, 80% das cinco últimas amostras devem apresentar até 800 NMP/100 mL de Escherichia coli. Para a última amostragem, o limite permitido é de 2.000 NMP/100 mL. O pH deve estar entre 6,0 e 9,0.

No período de verão, o DMAE realiza o monitoramento em seis pontos diferentes, sendo três localizados em Belém Novo e três no Lami. Nesta nova coleta, apenas dois desses locais serão analisados.

Avisos de Especialistas

Especialistas consultados pelo DMAE afirmam que a bactéria Acinetobacter baumannii é mais frequentemente associada a ambientes hospitalares e à resistência a antibióticos.

O microbiologista Afonso Luís Barth, coordenador do Labresis (Laboratório de Pesquisa em Resistência Bacteriana) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comentou que o risco de infecção ao nadar no Guaíba é bastante baixo.

Ele também destacou que a possibilidade de risco aumenta apenas em situações onde há contato com ferimentos abertos e condições de imunossupressão.

Situação da Água Tratada

O DMAE esclarece que os dados referentes à água bruta do Guaíba não têm relação direta com a qualidade da água tratada que é fornecida à população.

Diariamente, o departamento realiza mais de 2.400 análises desde a captação da água até os pontos da sua rede de distribuição.

A rotina de tratamento segue as diretrizes estabelecidas pela Portaria 888/2021 do Ministério da Saúde e passa pela fiscalização da SMS (Secretaria Municipal de Saúde).

Os relatórios mensais sobre a qualidade da água podem ser consultados no site oficial do DMAE.

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