Novo medicamento para menopausa recebe aprovação da Anvisa

Fezolinetanto apresenta uma nova abordagem terapêutica e amplia as opções para reposição hormonal

No final de junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do fezolinetanto, um medicamento que promete transformar o tratamento dos sintomas vasomotores (SVM) moderados a intensos associados à menopausa, conhecidos popularmente como fogachos. Para Carolina Zendron Machado Rudge, professora colaboradora do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), essa liberação é um marco significativo tanto para a ciência quanto para a saúde da mulher.

“Por muito tempo, as mulheres que não podiam se submeter à terapia hormonal enfrentavam uma escassez de opções realmente eficazes para lidar com os fogachos. O fezolinetanto representa uma nova classe terapêutica que se baseia na compreensão da neurobiologia da menopausa e destaca uma mensagem essencial: a menopausa deve ser tratada de forma individualizada, fundamentada em evidências científicas e centrada no bem-estar da mulher”, enfatiza Carolina, que possui residência médica em Reprodução Humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além de pós-graduação em Endoscopia Ginecológica e mestrado em Fisiopatologia e Ciências Cirúrgicas (UERJ).

O funcionamento do fezolinetanto se dá por meio da ação direta no cérebro, onde bloqueia os receptores da neurocinina 3 (NK3) presentes no hipotálamo, área responsável pelo controle térmico do corpo. “Com a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio resulta na hiperativação dos neurônios KNDy, tornando o centro regulador da temperatura excessivamente sensível. O fezolinetanto atua reduzindo essa hiperatividade, restaurando o equilíbrio térmico sem a utilização de hormônios. Isso é uma inovação significativa, pois as alternativas não hormonais anteriores eram limitadas a antidepressivos, gabapentina ou clonidina, desenvolvidas para outras finalidades e frequentemente apresentando eficácia reduzida ou mais efeitos colaterais”, esclarece a docente da UMC.

Para pacientes que têm contraindicações ao uso de hormônios ou que preferem um tratamento sem hormônios, o fezolinetanto oferece benefícios adicionais, como uma melhora notável na qualidade do sono. Isso ocorre principalmente porque ele diminui os episódios noturnos de sudorese, resultando em impactos positivos sobre a disposição e qualidade de vida geral.

Contudo, Carolina ressalta que o uso do fezolinetanto é restrito aos sintomas vasomotores. “O medicamento não é indicado para tratar ressecamento vaginal, dor durante relações sexuais, sintomas urinários relacionados à síndrome geniturinária da menopausa, perda óssea ou osteoporose, redução da libido provocada pelo hipoestrogenismo ou alterações cutâneas decorrentes da deficiência hormonal. Além disso, ele não substitui os benefícios sistêmicos que a terapia hormonal pode proporcionar quando indicada; isso não diminui sua importância dentro dos avanços médicos”, alerta.

A médica também observa que muitos mitos ainda cercam a menopausa e especialmente o uso de hormônios. A introdução deste novo medicamento possibilita ampliar as opções terapêuticas disponíveis e personalizar o tratamento das mulheres nessa fase vital. “Isso cuida dos sintomas individuais, levando em conta o histórico clínico, fatores de risco e expectativas diversas. Mais importante ainda é que ter uma alternativa eficaz e não hormonal pode incentivar mais mulheres a buscar ajuda médica e entender que não devem aceitar sintomas debilitantes como algo inevitável do envelhecimento”, conclui Carolina.

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