Uma convulsão é desencadeada por estímulos desorganizados que afetam um grande número de neurônios, resultando em uma “tempestade” elétrica no cérebro. Isso pode levar a movimentos involuntários, perda de consciência ou confusão. A neurologista Vania Garofalo Fidalgo, da Hapvida, compara a convulsão a um curto-circuito repentino e intenso no cérebro, que pode ser localizado ou generalizado.
É essencial distinguir entre uma crise convulsiva isolada e a epilepsia. Enquanto a primeira pode ser causada por diversos fatores, como sangramentos, tumores, febres ou traumas, a epilepsia é uma condição crônica caracterizada por crises repetidas e frequentes, sem uma causa específica identificada.
Mesmo indivíduos sem histórico neurológico podem experimentar convulsões ao longo da vida, sendo que aproximadamente 10% da população pode ter ao menos um episódio convulsivo sem desenvolver epilepsia, mostrando assim uma predisposição individual.
Fatores como estresse, falta de sono, atividade física intensa e desidratação podem desencadear crises em pessoas predispostas. Vania ressalta que o cérebro é sensível a mudanças metabólicas que podem levar à desorganização dos estímulos elétricos cerebrais. Hemorragias, isquemias, tumores e traumas cranianos também estão entre as causas mais comuns de convulsões.
As convulsões podem ocorrer em qualquer fase da vida, com crises febris sendo mais comuns em crianças e as hemorrágicas e isquêmicas mais frequentes em idosos. O surgimento de duas crises em intervalo curto de tempo, conhecido como crises subentrantes, indica uma maior gravidade.
A primeira convulsão deve ser tratada como uma emergência médica e investigada em ambiente hospitalar. A gravidade do quadro depende da causa subjacente, podendo requerer intervenção imediata em casos de hemorragias ou traumas graves, enquanto crises metabólicas ou febris geralmente têm resolução espontânea.
Sequelas neurológicas podem ocorrer após convulsões, dependendo da causa. Exames clínicos, de sangue, tomografia cerebral, eletroencefalograma e, se necessário, ressonância magnética são indicados para investigar a origem do problema em pacientes que nunca tiveram crises.
Após uma convulsão, o paciente deve ter acompanhamento regular e, se necessário, tratamento clínico e medicamentoso de acordo com a causa identificada.
A orientação ao presenciar uma convulsão inclui deitar a pessoa, virar a cabeça de lado para evitar aspiração de saliva ou vômito, afrouxar as roupas e aguardar o término da crise. É importante não colocar objetos na boca da pessoa afetada ou tentar contê-la. Embora assustadora, na maioria das vezes uma convulsão não é perigosa. No entanto, a primeira ocorrência deve sempre ser prontamente investigada por um médico.
A neurologista Vania Garofalo Fidalgo explica o que acontece no cérebro durante uma convulsão e oferece orientações sobre como agir diante de uma crise.
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