As despesas que chegam após as datas festivas podem gerar estresse financeiro para muitas pessoas; especialistas recomendam planejamento e cuidados com a saúde mental
O começo do ano costuma trazer uma “ressaca” financeira para muitas famílias: além de lidar com os gastos já realizados, janeiro e fevereiro são meses que concentram diversas despesas fixas, como IPTU, IPVA e material escolar, o que pode sobrecarregar o orçamento doméstico nos primeiros meses do ano. Uma pesquisa recente mostra que 83% dos brasileiros inadimplentes sofrem de insônia e ansiedade devido ao acúmulo de boletos nessa época.
De acordo com o estudo, a preocupação com dinheiro afeta a saúde mental de 84% dos brasileiros, sendo que 49% relatam ansiedade como o principal sintoma relacionado às dificuldades financeiras, além do estresse. Esses dados ressaltam a importância de estratégias que combinem organização financeira e cuidados emocionais.
O levantamento também revela que os problemas financeiros impactam diretamente os relacionamentos pessoais: 45% se sentem culpados ao pedir dinheiro emprestado, 41% evitam conversas sobre dinheiro e 29% acabam se afastando de amigos e familiares.
Mesmo diante desse cenário, é positivo notar que 95% dos brasileiros reconhecem a saúde mental como tão essencial quanto a saúde física – sendo que 19% a consideram até mais relevante.
Impactos na saúde
A preocupação constante com as despesas e o orçamento apertado pode provocar ou agravar esses sintomas, além de possíveis efeitos físicos como dores de cabeça e tensão muscular. No Brasil, os transtornos de ansiedade são comuns, com altas taxas de prevalência no país.
“Há uma série de apelos, de origens diversas, nesse período do ano (final de ano), para consumir cada vez mais. O final de ano chega, gastamos de forma descontrolada, depois janeiro chega, com várias contas para pagar e sem recursos, precisando pedir empréstimos, expondo a fragilidade de não ter dinheiro naquele momento. Isso acaba afetando a saúde em doses pequenas, o que é muito complicado, gerando cada vez mais ansiedade”, explica Miguel Catete, psicólogo clínico da Hapvida.
Saber lidar com a situação e estar ciente dos gastos sazonais pode prevenir problemas que afetam a saúde. Além disso, é importante se informar e falar com alguém sobre o que está passando.
“Uma das medidas é se informar e, a partir desse conhecimento, procurar formas de evolução. Além disso, ansiedade e depressão estão interligadas, sendo fundamental conversar com as pessoas sobre o que está acontecendo. Uma pessoa ansiosa começa a notar aspectos recorrentes em seu dia a dia, como alimentação de má qualidade, sono inadequado, irritabilidade, interações superficiais, dependência afetiva ou emocional. A vida começa a se tornar limitada e a origem desses sintomas, provavelmente, não está apenas no período entre o final e início do ano, mas sim em um estilo de vida distorcido e em uma visão distorcida do mundo”, acrescenta.
Como lidar com a ansiedade e o estresse financeiro
Planejamento antecipado: organizar datas e valores das principais contas no início do ano para distribuir os pagamentos ao longo do tempo.
Reserva de emergência: separar, sempre que possível, 10% da renda mensal para imprevistos, reduzindo a pressão diante de despesas extras.
Educação financeira: registrar entradas e saídas, estabelecer metas claras e realistas, e evitar compras por impulso ajudam a diminuir a apreensão associada às finanças.
Cuidado com a saúde mental: reconhecer os sinais de ansiedade e buscar apoio, seja por meio de redes de suporte ou profissionais qualificados, é crucial para evitar que o estresse financeiro se torne um ciclo prejudicial para a saúde.
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