Desfalque na Band revela a fragilidade do jornalismo, aponta Fenaj

A recente tragédia envolvendo um cinegrafista e uma repórter da Band em Minas Gerais, ocorrida nesta semana, evidencia os perigos associados à acumulação de funções e à precarização do jornalismo. Essa preocupação foi expressa em uma declaração pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG).

Na quarta-feira, 15 de novembro, o repórter cinematográfico Rodrigo Lapa e a repórter Alice Ribeiro sofreram um acidente automobilístico na rodovia BR-381, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, enquanto retornavam de uma cobertura jornalística. O cinegrafista estava ao volante no momento do incidente, o que levanta questões sobre acúmulo e desvio de função, conforme apontado pelas organizações de classe.

Infelizmente, Rodrigo faleceu no local do acidente e Alice teve morte cerebral confirmada no dia seguinte, 16 de novembro. Ela era mãe de um bebê com apenas 9 meses.

“Os profissionais encarregados da captação de imagens estão sendo sobrecarregados com atividades que não são suas, como a direção de veículos. Isso aumenta consideravelmente os riscos envolvidos, especialmente em estradas perigosas e em jornadas extenuantes”, afirmaram as entidades em sua nota.

As organizações representativas do setor expressaram seu lamento pelas perdas e manifestaram apoio aos familiares, amigos e colegas das vítimas. No entanto, ressaltaram que essa situação serve como um alerta para as condições laborais enfrentadas pelos jornalistas.

Embora as causas exatas do acidente ainda estejam sob investigação, a nota enfatiza a vulnerabilidade constante dos profissionais da área. A diminuição das equipes e a exigência por multifuncionalidade contribuem para esse ambiente arriscado.

A Fenaj e o SJPMG exigem que o Ministério Público do Trabalho (MPT) realize uma investigação a respeito das condições de trabalho nas empresas de comunicação. As entidades também pedem que sejam adotadas medidas para assegurar equipes adequadas e condições seguras para o exercício da profissão jornalística.

“A valorização e proteção dos profissionais que atuam no jornalismo é essencial para a defesa da atividade”, conclui a nota.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a Band para obter um posicionamento sobre as críticas feitas pelas entidades, mas até o momento não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações da emissora.

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